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"Em 10 anos, toda indústria estará digitalizada"

Os procedimentos necessários para a implantar o BIM, tanto no setor público quanto na iniciativa privada, foram debatidos com palestras e apresentações de cases, na segunda fase do 8º Seminário Internacional BIM, realizado pelo SindusCon-SP, por meio dos comitês de Tecnologia e Qualidade (CTQ) e Meio Ambiente (Comasp), e Totvs e patrocínio da Autodesk, BIMobject e Totvs, no último dia 27 de outubro. .

 

O consultor David Silva Pinto, detalhou o processo para integrar uma equipe ao novo formato de trabalho exigido para o uso do BIM. Segundo ele, planejamento é a palavra de ordem para as empresas que querem adotar a modelagem. “Existe um erro bastante comum nas construtoras: elas contratam em BIM, mas quando o projeto chega não sabem o que fazer. Isso acontece quando não há uma qualificação prévia. O conceito da ferramenta é universal, mas cada empresa, cada projeto tem as suas particularidades. É preciso conhecer BIM para saber o que e como pedir”, ensina Silva.

 

Para a desenvolvedora de Negócios da BIMobject no Brasil, Mariana Macedo, há muito tempo o BIM deixou de ser apenas uma modelagem. “Ele é gestão de informação da construção e será o ponto de partida para tudo o que está envolvido na obra. Tudo estará ligado a ele”, alertou. Em sua apresentação, Mariana destacou os dados do Boston Consulting Group que projetam o impacto econômico do BIM na economia. “Em 10 anos toda a indústria estará digitalizada, o que vai gerar uma economia de US$ 0,7 trilhão a US$ 1,2 trilhão em construções não residenciais.” A desenvolvedora de Negócios da BIMobject fez um alerta para os empresários da construção. “Pessoas de qualquer setor poderão atropelar empresas da construção civil, como o Google.” A gigante de serviços online pretende construir sua própria smart city. “Muitas start-ups estão indo para a área da construção civil. Nada pode ser feito para conter a entrada de outras tecnologias nesta área. É mandatório que as coisas sejam feitas de forma mais prática, rápida, econômica e sustentável”, advertiu.

 

Eficiência



Do escritório Athié I Wohnrath, a gerente de Processos BIM, Joyce Delatorre, contou a experiência da empresa com a ferramenta desde 2006, quando desinstalou tudo o que tinha em CAD e passou a utilizar BIM em seus projetos. “A empresa trabalha com prazos curtos para planejamento de interiores, por isso precisa ter precisão maior. Ganhamos tempo e nos comunicamos melhor com o cliente – utilizando vistas 3D. Temos uma biblioteca com mais de dois mil componentes, que a cada seis meses passa por uma revisão de conteúdo”, detalhou Joyce.

 

O vice-presidente do SindusCon-SP e diretor da Dox Planejamento e Gestão, Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, disse que a maior prova da eficácia do BIM é percebida quando o cliente não especifica, mas tem alto grau de satisfação quando o empreendimento é entregue. “O incorporador pode não pedir a obra em BIM, mas a gente usa a ferramenta e o resultado final sempre agrada.” É o que tem feito a Gafisa, que desde 2011 utilizou a ferramenta em cinco empreendimentos residenciais. “A ferramenta não está implantada em toda a empresa, mas continuamos trabalhando nisso e a experiência tem sido bastante proveitosa”, afirmou o gerente técnico da Gafisa, Edgard Vaitekaites Júnior.

 

O arquiteto do escritório Contier Arquitetura e conselheiro da Fiesp, Luiz Contier, destacou a eficiência que o BIM oferece para sua empresa e aos clientes. “Nossa equipe faz reuniões de compatibilização com os profissionais do cliente. Tendo o BIM como o condutor do nosso trabalho e essa proximidade estabelecida com o cliente quase não há refação. Isso é economia de tempo, recurso e material.”

 

Expansão nacional



A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) tem realizado um extenso trabalho de massificação do BIM por todo o Brasil por meio do poder público e empresas. A entidade tem mantido conversas e reuniões constantes com representantes da União para incentivar o poder público a adotar o BIM em seus projetos. Segundo a gestora dos Projetos de Inovação & Tecnologia da CBIC, Raquel Seiberlich Ribeiro, a proposta é que o governo federal passe a adotar o uso da modelagem em licitações para suas obras, tornando o BIM compulsório para as grandes construtoras – caso contrário, ficarão de fora de processos governamentais. “Seria a maneira mais eficaz e rápida de o BIM fazer parte de um maior número de empresas da indústria da construção civil, dada a importância de um cliente tão grande como o governo.”

 

Em paralelo, a CBIC e o Senai Nacional, tem realizado road shows para cidades de todo o país. Apenas no primeiro semestre foram 10 localidades. “Entre as próximas ações estão a criação de uma metodologia de implementação do BIM para um grupo de empresas e a contribuição para formatar ações sensibilizadoras da indústria nacional, disseminação da plataforma e elaboração e objetos genéricos”, explicou.



(Cbic com informações do SindusCon-SP - Andrea Ramos Bueno)