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Entenda os indicadores da construção

De acordo com Sondagem da Construção da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE), o Índice de Confiança da Construção (ICST) recuou 3,1 pontos em junho de 2018. Assim, foi de 82,4 pontos para 79,3, o menor nível desde novembro de 2017 (78,6 pontos).



Em nota, a coordenadora de projetos da construção da FGV/IBRE, Ana Maria Castelo, apontou que a forte queda das expectativas empresariais no mês de junho não teve nenhuma relação com a situação corrente dos negócios.



“O empresário, que vinha demonstrando relativo otimismo com a possibilidade de retomada da atividade no curto prazo, foi contaminado pela deterioração do cenário doméstico. A reversão das expectativas atingiu todos os segmentos. Certamente, a greve, que causou muitos prejuízos e paralisou obras, foi um componente importante nessa mudança de humor, mas a principal causa do desalento é o ritmo de crescimento que traz preocupações sobre a continuidade da fraca melhora dos negócios”.



Greve dos caminhoneiros



Uma das razões para a baixa no ICST em junho se deve ao impacto da greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, no setor. A greve teve efeito negativo, já que 64% dos empresários indicaram que os negócios foram atingidos, visto que os insumos não chegavam às obras, provocando atrasos no cronograma. 



No entanto, em um setor com um ciclo produtivo longo, os fatores que estavam, de fato, influenciando negativamente as expectativas são o baixo crescimento econômico e o ambiente de incertezas relacionados ao cenário eleitoral.



 



Índice da Situação Atual e Índice de Expectativas



Índice de Expectativas (IE-CST) caiu 6,5 pontos, a maior queda da série histórica, iniciada em julho de 2010, e foi para 88,3 pontos. Foi o menor nível desde agosto de 2017, quando retrocedeu para 87,8 pontos. O indicador que mais influenciou negativamente no IE-CST foi o que mede a situação dos negócios para os próximos seis meses, que caiu 7,8 pontos, fechando junho em 88,1 pontos.



Já o Índice da Situação Atual (ISA-CST) se manteve relativamente estável no mês de junho, com variação de 0,3 ponto, atingindo 70,8 pontos. O indicador que sustentou esse resultado do ISA-CST foi o que mede a situação dos negócios no momento, com aumento de 0,6 ponto, para 73,3 pontos.



 



INCC-M



Em junho, o Índice Nacional de Custo da Construção – M subiu 0,76%, de acordo com a FGV/IBRE. No mês anterior, o índice marcou 0,30%.



Referência para os valores praticados no setor da construção, o INCC é composto pelos subíndices de Materiais,Equipamentos e Serviços e Mão de Obra.



No caso, o primeiro variou 0,62% em junho ante 0,49% de maio. O segundo registrou variação de 0,88% na passagem de maio para junho.



ICI



A prévia da Sondagem da Indústria de junho de 2018 sinalizou queda de 1,4 ponto no Índice de Confiança da Indústria (ICI) em relação ao número final de maio, para 99,7 pontos.



Para a coordenadora da Sondagem da Indústria da FGV/IBRE, Tabi Thuler Santos, “a prévia de junho sinaliza queda da confiança sob influência de uma expressiva piora das avaliações sobre a situação atual. Há que se considerar, no entanto, que o aumento da incerteza econômica após as greves de caminhoneiros do final de maio, pode levar a que o resultado final da pesquisa seja mais distante da prévia que de costume. Entre os aspectos positivos está a a normalização gradual das atividades produtivas ao longo do mês. Entre os negativos, a piora percebida da qualidade da política econômica e a maior proximidade das eleições”.



Fonte: Buildin