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Quanto custa um acidente de trabalho

Empresários de diversos setores se reuniram na quinta-feira (10/08) no auditório do Sinduscon para ouvir o médico especialista em Saúde do Trabalho do SESI/CNI, Gustavo Nicolai, falar sobre “O impacto financeiro dos acidentes de trabalho e afastamentos previdenciários”.



Segundo Nicolai, a legislação brasileira deu um grande passo há 10 anos com a introdução de uma alíquota de tributos variável. Ele explicou que quanto mais acidentes uma empresa tem, quanto mais doenças, afastamentos previdenciários essa empresa gera, maior é esse índice tributário. É o FAT – Fator acidentário de prevenção. “É um indicador de sinistralidade das empresas, controlado pela previdência social, pelo INSS, que vai afetar o seguro de acidentes de trabalho. O empresário vai sentir no bolso o impacto desses custos.”



Objetivo do encontro foi trazer aos a clareza e o entendimento dessa nova política que penaliza as empresas. Há três anos, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio do Seconci, trouxe uma ferramenta que ajuda a fazer um cálculo bem real de quanto custa um acidente de trabalho.



A ferramenta se chama “Construindo Segurança e Saúde”, é uma página na internet gratuita para as empresas, é de responsabilidade da CBIC, foi patrocinada pelo Serviço Social da Indústria, para que empresas de qualquer ramo, não apenas da construção, possa fazer as suas simulações com a sua reserva de dados.



“É interessante que em mais de dois anos de andamento dessa ferramenta, o nosso levantamento mais recente mostra o seguinte: em média, cada vez que uma empresa tem um acidente de trabalho, por mais simples que seja, ainda que não gere um afastamento, isso tem sobretaxado as empresas em 9.417 reais. Esse foi o valor médio que a gente encontrou na última atualização. E cada vez que ela afasta um trabalhador, seja decorrente de um acidente de trabalho ou de uma doença ocupacional, para o INSS, isso só em tributos leva uma agregação de cerca de 73.300 reais”, informou o médico.



Segundo ele, o que mais  surpreendeu depois desse trabalho (desenvolvimento da ferramenta) é a perspectiva de dar ao empresário motivo para fazer a prevenção. “Nenhum empresário, nenhum industriário quer ir para casa sabendo que um funcionário seu sofreu um acidente grave e muito menos uma fatalidade. Ele tem razões pessoais, sociais, morais, políticas, éticas, religiosas, para se sentir triste e fracassado nesse sentido. Mas as razões agora também são financeiras. E aí saber quanto custa para a empresa um acidente, quanto custa um afastamento previdenciário, dá para o empresário uma ação estratégica, um pensamento estratégico. Se hoje ele precisa disponibilizar um equipamento para o trabalhador que custa 5 mil reais, mas esse dinheiro sai do seu orçamento, ele tem que pesar se pode ou se não pode dar esse dinheiro para esse investimento, sabendo que o acidente custa bem  mais do que isso. Fica mais fácil tomar essa decisão. Fica mais fácil acreditar e investir nos processos de prevenção.”



“Você imagina numa crise, um empresário com dilema empresarial, necessidade de subsidiar e pagar os seus funcionários, tentar não demitir em um momento em que o país todo tem feito isso, e aí você traz para ele mais uma despesa, dizendo que ele tem que investir nos equipamentos de segurança e proteção coletiva, tem que melhorar esse ambiente de trabalho e isso vai custar 10 mil, 15 mil, 20 mil. Num primeiro momento essa decisão talvez passe por um corte disso.”



A intenção da palestra foi mostrar para o empresário que, estrategicamente, esse não é o caminho. “Não é aqui que ele pode cortar. Isso é investimento. Isso vai garantir o resultado consolidado lá na frente, que são os mecanismos de prevenção.  Hoje a gente já conhece muito bem mecanismos de prevenção de acidentes, o que funciona, o que não funciona, especificamente estamos na era da atuação no comportamento. Temos que atuar no comportamento das duas esferas: da alta gerência da empresa, da alta diretoria, e entender que saúde e segurança é efetivamente um valor que o empresário não pode abrir mão. O resto ele pode discutir: se o piso do apartamento vai ser de porcelanato ou de cerâmica, isso ele pode discutir, mas ele não pode discutir se ele vai deixar o trabalhador ali desprotegido; esse risco é muito grande.”